Indiferença é uma dor que se concentra e se propaga. Concentra no peito, aperta, sufoca; propaga na alma, amarga, entristece. E sendo o contrário de amar, será também oposto de angústia, ansiedade, saudade. A indiferença é um paradoxal sentimento, pois que sente não é o agente, mas o objeto.
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
Sobre a arte e a vida
Rir e pensar, envolver-se ou devanear... Todo tipo de arte proporciona experiências sensoriais, cognitivas, socias, metafísicas, tão diversas quanto complexas. A forma com que certa manifestação artística toca um Ser relaciona-se intimamente com o seu ser. Suas vivências, conexões, seu barro. Barro molhado, moldável, mas de matéria definida. E a sétima arte alcança o meu ser, quase como um livro. Concentração, preparação, momento onde um instante perdido determina a crítica final. Duelos épicos, dramas suburbanos, histórias rasas pinceladas de doçura... Sempre me instigam o texto e o contexto, entrelaçados ficção e fatos que em muito assemelham-se à nossa própria vida (ou àquela que desejamos). Inevitável depois a citação sem fonte, apropriação pela identificação mais que pela intenção de usurpar propriedade intelectual alheia. Uma comédia despretensiosa ofereceu-me recentemente um profundo sentimento de unidade e pertencimento, e no dia de hoje a vida tristemente imitou a arte. Meu sentimento se traduz nas palavras de Dona Hermínia:
"Quando uma mãe perde um filho, todas as mães do mundo perdem um pouquinho dele também".
sábado, 14 de dezembro de 2013
O ano novo e a pessoa nova
Não dá para a cada Natal, ano novo, aniversário ou Páscoa se tornar uma pessoa nova, esquecer os erro cometidos e começar do zero sua história de vida. A capacidade de decidir ser uma "pessoa nova" nasce exatamente da existência das experiências julgadas negativas. Ninguém é 100% imprestável, que mereça ser "formatado" e "reinstalado"! Nossos erros e acertos, com toda a subjetividade que essas palavras carregam, são elementos do nosso caminho, e todo dia é possível alterar o rumo a seguir. Nossos defeitos e qualidades, igualmente subjetivos, competem pelo espaço do "ser eu", buscando brilho e notoriedade. Assim, diariamente, o balanceamento dessas forças nos molda, e sou feliz pela pessoa que sou hoje aos 30 anos. Melhoria contínua, claro, mas para o ano novo menos promessas. Hoje eu só desejo fazer melhor uso da melhor parte de mim.
sábado, 12 de outubro de 2013
Outro tempo
O tempo endossa a doce lembrança
Traz paz, sufoca a angústia
Renova
O tempo cura
Apura o tempero da vida
E a vida... Quero muito!
Tanto e mais
Sempre
Traz paz, sufoca a angústia
Renova
O tempo cura
Apura o tempero da vida
E a vida... Quero muito!
Tanto e mais
Sempre
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Vida difícil!?
Final de ano chegando e agenda ja cheia de compromissos sobrepostos, dificuldade para ajustar datas e eventos. As tradicionais festas de natal do trabalho do marido, da escola do filho, do próprio trabalho (duas), coquetel de posse, aniversário do filho, viagem de bike... Entre tudo isso tentando não faltar ao dentista e voltar ao ritmo da academia. O celular já está sem memória para tantos lembretes.
domingo, 9 de outubro de 2011
Diário para você
Hoje vou te falar de expectativas. Que adianta ocultar sonhos, que ao se realizarem parecem obras de um acaso imaterial, sem sangue ou suor. Realizações são frutos que nascem do regar da muda, da incidência suave e contínua dos raios de sol, da passagem do tempo. Algum tempo há para cada cultivo, meu filho. O caminho que hoje trilho foi um dia sonhado, planejado e por fim iniciado. Poder percorrê-lo já é uma conquista, que mistura nosso suor e nossas lágrimas para formar um presente de ótimos momentos e maiores perspectivas. Meus sonhos profissionais só são possíveis pela convergência de nossos sonhos enquanto família. E o preço de sua realização é perfeitamente palpável, inegavelmente mensurável nos olhos de despedida.
La pregunta?
A chegada de um bebê monopoliza conversas de família, e aguça a curiosidade das crianças. Supostamente concentrado em seu mais novo filme favorito, Biel surpreende a família reunida na sala:
- Mamãe, como Ana Júlia vai sair da barriga de tia Lê?
As tentativas de explicações dos presentes, solidários à mãe, culminaram em algo parecido com uma porta que se abre na barriga da tia.
- E porque não é agora? Insiste ele, expressão de incredulidade.
- A bebê está dormindo, e quando ela acordar vai bater na portinha. – complementam pateticamente, enquanto o inquisidor já está novamente atento ao filme, para alívio geral.
Não importa o quanto me prepare para acompanhar as transformações do meu filho. Ele sempre estará à frente de qualquer tentativa de prospecção.
- Mamãe, como Ana Júlia vai sair da barriga de tia Lê?
As tentativas de explicações dos presentes, solidários à mãe, culminaram em algo parecido com uma porta que se abre na barriga da tia.
- E porque não é agora? Insiste ele, expressão de incredulidade.
- A bebê está dormindo, e quando ela acordar vai bater na portinha. – complementam pateticamente, enquanto o inquisidor já está novamente atento ao filme, para alívio geral.
Não importa o quanto me prepare para acompanhar as transformações do meu filho. Ele sempre estará à frente de qualquer tentativa de prospecção.
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
De ontem em diante
Esperou longas horas pelo costumeiro reencontro no meio da semana. Acordou cedo, trabalhou em jejum, esqueceu, lembrou e ainda nem era hora do almoço. Ligou, a passos largos na rua de pedras, com uma desculpa qualquer, só para ouvir e acalentar a saudade/ansiedade. Fez recomendações ao telefone e relembrou as encomendas enquanto escolhia um fresco pé de alface e projetava repetir o cardápio do jantar (queria partilhar a "leve" galinhada com pequi degustada sozinha na noite anterior). Calor, agência cheia, telefonemas, papéis... e a tarde serena. Fim do dia, jornada ao pé do fogão, marido preenchendo a casa, conversa de filho atrás do balcão (cresceu tanto em dois dias!). A quarta feira é essencial para valer a pena. A elaboração do cardápio da próxima semana já começou.
domingo, 14 de agosto de 2011
Pai
A virtude de amar te faz forte
Não os braços.
A sabedoria das palavras te faz grande
Não o grito.
O brilho nos olhos te faz único
Não as posses.
Em cada passo, um olhar
Em cada gesto, imitar
O ídolo forte, grande, único
Que todo filho deseja ter.
Não os braços.
A sabedoria das palavras te faz grande
Não o grito.
O brilho nos olhos te faz único
Não as posses.
Em cada passo, um olhar
Em cada gesto, imitar
O ídolo forte, grande, único
Que todo filho deseja ter.
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Lição que se aprende cedo
Ao telefone:
- Filho, fala com a mamãe (quando eu vou parar de falar na terceira pessoa?). Tudo bem com você?
- Oi mamãe! Tudobemcomvocê (apressado)?
- Oi filho, eu tô bem, você brincou muito hoje?
- Mamãe, vamos piculá o Cuco pra colocá ele no relógio da Magalida? Ih! Ele tá voando pra longe de novo!
- O quê, Biel???
- (silêncio)
- Filho, você tá assistindo DVD? Fala com a mamãe só um pouco, não tá na hora de ver DVD.
- (silêncio)
E depois de várias tentativas de conversa telefônica, mãe impaciente, o pequeno só escutando do outro lado:
- Gabriel??? Filhooo, vou falar pro papai parar o DVD.
- Mamãe, você sabia que eu te amo?
(Eu me rendo!)
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Aniversário é um dia que resume a vida
Inevitável preencher o dia com recordações, felicitações padrão e sorrisos. Tudo neste dia converge para a celebração. Comemorar "um novo ano", e não "mais um ano de vida", significa 365 dias de oportunidade para concretizar idéias, alimentar vínculos, construir bases para sonhos. A lista de desejos e promessas para o "meu ano novo" inclui ler mais, visitar os amigos (os de longe e os de perto) e estar novamente unida à minha família.
Tenho 364 dias antes do próximo ano novo. Será que vou conseguir?
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Procurando as fontes das estatísticas
Todo sentido que faz as coisas que queremos, esvai-se no momento em que elas se concretizam. O custo de oportunidade é a matemática básica do dia a dia. Onde está a certeza da necessidade de mudança, o sonho de ter desafios? Permanecem internalizados, mas diariamente poderados à luz da espera, da distância, da saudade. Abdicar e investir para uma vida inteira, mas, se necessário for, desinvestir. Muitos já disseram, "o importante não é estar ao lado, mas do lado de dentro". Repetir em voz alta esse mantra antes das refeições (comer sozinha é altamente depressivo!) e quando entrar em casa depois do trabalho (cadê os brinquedos espalhados na sala?) pode aumentar muito a expectativa de vida durante a semana fora de casa.
quinta-feira, 30 de junho de 2011
A vida em ciclos
Cada sonho, um nó
Na garganta, no peito, na alma
Cada início, só
Sem bandeiras, sem alianças
Solitária esperança no que virá
Cada ida, pó
Fragmentos que preenchem lacunas, vivências
Sensoriais, cognitivas, sociológicas, metafísicas
Micropartículas na fusão da diversidade humana
Sedimento que nivela o piso para os próximos passos
De sonhos, de luta, e em algum momento, de partida.
(Aos colegas da SRE)
Na garganta, no peito, na alma
Cada início, só
Sem bandeiras, sem alianças
Solitária esperança no que virá
Cada ida, pó
Fragmentos que preenchem lacunas, vivências
Sensoriais, cognitivas, sociológicas, metafísicas
Micropartículas na fusão da diversidade humana
Sedimento que nivela o piso para os próximos passos
De sonhos, de luta, e em algum momento, de partida.
(Aos colegas da SRE)
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Nesta data querida
Soneto de fidelidade
(Vinícius de Morais)
De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Só nós sabemos quanto há para comemorar
E do futuro esperar...
(Vinícius de Morais)
De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Só nós sabemos quanto há para comemorar
E do futuro esperar...
terça-feira, 24 de maio de 2011
Uma herança pra deixar
Não quero que meu epitáfio seja extenso e repleto de desejos não vividos. Manter os olhos em alerta ajuda a captar cada mudança de vento que determine novas estações e assim posso aproveitar o melhor de cada uma delas. Penso, e como penso! Planos, projetos, orçamentos, fazem parte do dia a dia, como escovar os dentes ou arroz com feijão, embora reconheça, relutante, a importância de se entregar esporadicamente ao acaso. E na hora de executar, contar com auxílio/apoio/puxão de orelha é sempre uma ótima opção. Pessoas são componentes essenciais na execução de planos bem sucedidos. E querer perto, querer bem, requer dedicação. Bate papo na cozinha de madrugada, e-mail sem assunto, beijo-lembrete (sempre tem uma recomendação a ser feita) na saída e beijo-saudade na chegada. Momentos consolidam laços, estreitam braços, permitem viabilizar diariamente a felicidade. E ao fim, a lápide sem serventia, mera pedra fria esculpida, nada terá para guardar. Somente os componentes humanos arquivarão os estímulos sensoriais vivenciados e proporcionados através de minha existência.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Existe razão nas coisas do coração
Havia uma princesa que vivia no Reino dos Contrastes. Erudita de carteirinha, aventurou-se no estudo das letras, e durante a faculdade estudou com afinco o latim (assim como todas as outras matérias), devorou vasta literatura da biblioteca e cantou no coral. Mas, é certo que jamais abandonou outros interesses, tão diversos dos primeiros: a cervejinha do fim de semana, o arrasta-pé e o discurso feminista. A princesa suspirava e registrava versos romanescos, ao mesmo tempo em que verbalizava planos de permanecer avulsa na vida, eterna profissional full time. Prezava muito essa tal liberdade de ir e vir, mas, estranhamente, mal graduou-se em terras longínquas retornou à barra da saia da rainha-mãe. A princesa, por estes tempos, conheceu um príncipe, que como ela, poetizava. Verso vai, ônibus vem, o príncipe, tal qual experiente ourives, trabalhou e esperou o tempo necessário a cada etapa na construção da mais bela jóia. Assim, a resiliente princesa, jóia de raríssima pureza, terminou por vergar (sem comprometer a paradoxal estrutura básica) em direção à grande tarefa na existência cristã: crescei e multiplicai-vos. E feliz vai a princesa anunciando as núpcias, evento antes inimaginável na sua feminilista de planos...
sexta-feira, 13 de maio de 2011
Quase cicloturista-ativista
Recente estudo realizado pelos governos Federal e Estadual revelou que o processo de desertificação no norte de Minas Gerais está em estágio bastante avançado. A conclusão é de que em vinte anos, a região poderá se tornar improdutiva e inabitável, provocando migrações em massa e diversos outros problemas decorrentes disso. Os cidadãos mais uma vez são responsabilizados e chamados à ação. Justíssimo! Afinal o esgotamento dos recursos é em função do uso de quem? Mas, entenda-se como cidadãos responsáveis todos os beneficiários dos recursos da região. Isso inclui moradores, visitantes, transeuntes, empresários e claro, governantes. Ações conjuntas, mobilizadoras e perenes poderão garantir a manutenção dessa importante área de transição entre os biomas Caatinga e Cerrado. As futuras gerações merecem conhecer a beleza da Serra Geral Norte Mineira e seus frágeis mananciais. A bike está a minha espera para estrearmos nas trilhas do cerrado, e tirar muitas fotos. Daqui a alguns anos, quando meu filho quiser fazer o mesmo, espero que, ao subir a serra, ele encontre esse mesmo cenário...
Mudança de hábito
O esforço pela redução do uso de sacolas plásticas têm alcançado grande notoriedade na sociedade. Campanhas de organizações independentes e atitudes de consumidores isolados promoveram um efeito multiplicador positivo em busca da redução de resíduos, culminando em aprovação de leis importantes. A pioneira cidade de Belo Horizonte e suas donas de casa engajadas... receita de sucesso em atitudes de consumidores conscientes. Exemplos a serem replicados nos diversos municípios, que começa pela educação ambiental inserida no convívio de cada indivíduo: casa, escola, bairro. Enquanto não se torna lei no meu município, sigo fazendo a minha parte para reduzir o consumo de sacolas plásticas: sacola retornável e caixas de papelão para carregar as compras. E para suprir as necessidades de sacos no lixo, basta utilizar o saquinho de jornal que o site "De Verde Casa" ensina. Não há custo financeiro para atitudes simples, mas o benefício ambiental é incomensurável. E você? Quantas sacolas descartáveis recusou hoje?
domingo, 8 de maio de 2011
Do que é feito um dia de mãe?
Acordar com passos
nas mãos o afago
a voz pura suplicante
aos ouvidos, bem cedo
Deixar-se levantar
chão frio, já vai
leite quente e bolachinha
Sol a pino lembra fome, sesta
e o doce pedido: brinca, brinca
por que não é agora?
É hora, já sabe
de banho, de comida, de sair
é a vida (a nossa, com prazer)
A volta do trabalho
cheiro de banho invade a sala vazia
às vezes silêncio, vitória ao cansaço
às vezes correria nos fundos
livro novo, experimentar
histórias repetidas, dividir
pedido manhoso, colinho atendido
era para resistir?
segunda-feira, 2 de maio de 2011
11 de setembro x Dias que se seguiram
O que há para celebrar diante da violência institucionalizada?
1 morte amiga + 1 morte inimiga = 2 episódios de violência. Não há compensação nesta relação matemática, as perdas somam-se, e multiplicam a intolerância e o sofrimento.
Vamos celebrar a paz que vem do respeito ao ser humano. Respeito às origens e escolhas. Respeito à vida.
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