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domingo, 9 de outubro de 2011

La pregunta?

A chegada de um bebê monopoliza conversas de família, e aguça a curiosidade das crianças. Supostamente concentrado em seu mais novo filme favorito, Biel surpreende a família reunida na sala:
- Mamãe, como Ana Júlia vai sair da barriga de tia Lê?
As tentativas de explicações dos presentes, solidários à mãe, culminaram em algo parecido com uma porta que se abre na barriga da tia.
- E porque não é agora? Insiste ele, expressão de incredulidade.
- A bebê está dormindo, e quando ela acordar vai bater na portinha. – complementam pateticamente, enquanto o inquisidor já está novamente atento ao filme, para alívio geral.
Não importa o quanto me prepare para acompanhar as transformações do meu filho. Ele sempre estará à frente de qualquer tentativa de prospecção.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Lição que se aprende cedo

Ao telefone:
- Filho, fala com a mamãe (quando eu vou parar de falar na terceira pessoa?). Tudo bem com você?
- Oi mamãe! Tudobemcomvocê (apressado)?
- Oi filho, eu tô bem, você brincou muito hoje?
- Mamãe, vamos piculá o Cuco pra colocá ele no relógio da Magalida? Ih! Ele tá voando pra longe de novo!
- O quê, Biel???
- (silêncio)
- Filho, você tá assistindo DVD? Fala com a mamãe só um pouco, não tá na hora de ver DVD.
- (silêncio)
E depois de várias tentativas de conversa telefônica, mãe impaciente, o pequeno só escutando do outro lado:
- Gabriel??? Filhooo, vou falar pro papai parar o DVD.
- Mamãe, você sabia que eu te amo?
(Eu me rendo!)

quinta-feira, 24 de março de 2011

E o combustível é renovável


A viagem tem que esperar trocar o carro. O casamento? Melhor comprar a casa primeiro. O corte de cabelo novo será quando mudar de emprego. A louça nova, presente de casamento, será usada somente nas bodas de prata... Adiar sonhos em função da conclusão de outros projetos é ilusão. Sempre teremos projetos concomitantes na vida, e o conflito entre eles é inevitável. Gerenciar os próprios planos é um grande desafio, que torna-se ainda mais complexo quando consideramos que existem diversos grupos de interesses ao nosso redor: familiares, colegas de trabalho, amigos, invejosos... Neste contexto, conhecer-se é importante, estabelecer prioridades é essencial, e dedicar-se com amor às escolhas faz a diferença. Estudar, trabalhar, constituir patrimônio, casar, ter filhos, nessa ordem, representam a estrutura evolutiva padrão da sociedade. Ter desvio-padrão alto sugere estar fora do sistema, seja deixando-se ser levado pelas circunstâncias ou indo de encontro às imposições. O importante não é se a ordem social dos acontecimentos foi seguida. A cronologia do coração é que nos mantém vivos.

“O importante não é o que fazem do homem, mas o que ele faz do que fizeram dele.” Sartre, em citação de mãe

sexta-feira, 4 de março de 2011

Saiba aonde quer chegar



Mulheres têm mais neurônios que os homens: fato. Homens fazem as mesmas coisas com menos neurônios: piada. A diversidade na estrutura cerebral não representa maior ou menor capacidade intelectual por gênero, segundo pesquisas. A mulher apresenta, sim, mais sinapses, o que para a ciência representa maior capacidade de ser multi-tarefas. E essa maior rede de conexões favoreceu... o que mesmo? “Revolução do sutiã”, evolução dos equipamentos domésticos, queda da taxa de natalidade, blogagem coletiva. Iniciou-se a era da “Síndrome do Pato” para muitas mulheres. Diz a lenda que o pato voa, nada e corre, mas nada faz com perfeição devido à falta de dedicação intensiva a uma só atividade. Ponto de vista é só um ponto. Neste mundo de tantos estímulos e oportunidades, dedicar-se intensivamente a ser um pato têm sucesso garantido... lá em casa.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Eu me rendo...

E aconteceu que, chegando em casa, ele pede para ir dormir. Até aí, tudo bem, já passavam das 10 e o pequeno dorme às 8 horas, no máximo. Inesperada foi a frase seguinte: “Mamãe, quero dormir sem fraldinha!" Faz quase um ano que ele não usa fralda diurna, e apesar da fralda noturna amanhecer seca há algum tempo a primeira tentativa de retirá-la ocorreu sem sucesso. Depois disso, ficou decidido que seria melhor esperar mais um pouco, porque a entrada na escola junto com a retirada da fralda poderia gerar muita insegurança no filhote. Então, aproveitando a enfática iniciativa dele, arriscamos mais uma vez. Explico detalhadamente as implicações de dormir sem fralda, destacando os benefícios, claro. Se deu certo? Bem, a capa protetora reserva ainda reside intacta na gaveta...

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Coisas que a idade nos faz esquecer (ou negligenciar)

A leitura de mídias diversas traz uma visão holística de fatos e opiniões, que, imperceptivelmente, contribui para uma formação pessoal de predisposição à ponderação. Contraditoriamente, essa afirmação parece reducionista a ponto de atribuir a apenas um fator a capacidade de ponderação dos indivíduos, mas não se trata de determinar uma fórmula. É notório que o exercício de percepção da pluralidade de pontos de vista quando iniciado desde a infância através da leitura estimula o pensar antes de agir. Fábulas, contos, poesias e parlendas trazem explícitas ou não mensagens de reflexão em linguagem adequada aos pequenos. Quanto mais cedo for iniciado o acesso aos diversos tipos de textos e autores maior a amplitude de cenários experimentados pelo indivíduo, quando poderá escolher as preferências sem esquecer que há outras formas de manifestação na linguagem escrita. Assim, o amadurecimento cognitivo irá ao encontro também das novas tecnologias, mas sempre favoravelmente à experimentação anterior à predileção. Uma criança de dois anos já pede a história favorita (que muda frequentemente), mas nunca recusa um livro novo.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Definições


Cena 1
_ Biel, papai trouxe presente pra você! 
_ O quê papai? (pulando)
_ Bombom!
_ Quê issu? (Recebe o bombom sem papel) Não! É chocolate, papai!

Cena 2
_ Quê issu (com biquinho) papai? 
_ Isso é bolo de chocolate, filho. 
_ Não, papai. É bolo. (Chocolate é outra coisa...)

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Quando a angústia passa

Ele nasceu saudável, com peso e altura dentro do esperado considerando o milagre da herança genética. Mamou muito. Chorou pouco, porém forte, resoluto. Aprendeu rápido a adaptar-se às novidades do primeiro ano. Aos seis meses iniciou-se nos ritos familiares de alimentação. Aos nove meses foi separado de sua primária fonte de alimento, e substituiu-a sem cerimônia por um copo que jorrava mais leite do que conseguia sorver. Por esses tempos, decidiu aparecer mais que a noiva, e deu seus primeiros passos sozinho na festa de casamento da tia. Daí para frente, ousou. Deu sua primeira festa, virou cristão e tornou-se terceira pessoa, cheia de posses e sabedoria: é de Biel!; Biel sabe! Abusou do “não”, do “cadê”. Descobriu as frases longas e o pai super-herói. Então, a mãe virou coadjuvante. Caiu, pulou, pedalou a “totoquinha”, selecionou repertório musical. E tanto fez, que virou Gabriel. Já. Primeira pessoa. Protagonista de histórias vividas por ele e por outros, segundo conta. Contador de histórias, curioso. Leitor de A princesa e o Sapo (ainda que o livro esteja de cabeça pra baixo). A família cresceu junto, a cada tropeço, a cada descoberta. E chegou, enfim, o dia de deixar o berço. Muitas protelações e desculpas depois, tudo pronto. Ansiedade dos pais. Desejo e necessidade do filho, celebração do 2º ano. Banho-leite-livro-oração... cama. Senta, levanta, canta, rola, enrola, balbucia, cala... E o sol de manhã, na busca através da persiana, foi encontrá-lo em um ponto novo do quarto. A angústia pelo novo, mais uma vez, passou.