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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Divagando...



Indiferença é uma dor que se concentra e se propaga. Concentra no peito, aperta, sufoca; propaga na alma, amarga, entristece. E sendo o contrário de amar, será também oposto de angústia, ansiedade, saudade. A indiferença é um paradoxal sentimento, pois que sente não é o agente, mas o objeto.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Vida difícil!?

Final de ano chegando e agenda ja cheia de compromissos sobrepostos, dificuldade para ajustar datas e eventos. As tradicionais festas de natal do trabalho do marido, da escola do filho, do próprio trabalho (duas), coquetel de posse, aniversário do filho, viagem de bike... Entre tudo isso tentando não faltar ao dentista e voltar ao ritmo da academia. O celular já está sem memória para tantos lembretes.

domingo, 9 de outubro de 2011

La pregunta?

A chegada de um bebê monopoliza conversas de família, e aguça a curiosidade das crianças. Supostamente concentrado em seu mais novo filme favorito, Biel surpreende a família reunida na sala:
- Mamãe, como Ana Júlia vai sair da barriga de tia Lê?
As tentativas de explicações dos presentes, solidários à mãe, culminaram em algo parecido com uma porta que se abre na barriga da tia.
- E porque não é agora? Insiste ele, expressão de incredulidade.
- A bebê está dormindo, e quando ela acordar vai bater na portinha. – complementam pateticamente, enquanto o inquisidor já está novamente atento ao filme, para alívio geral.
Não importa o quanto me prepare para acompanhar as transformações do meu filho. Ele sempre estará à frente de qualquer tentativa de prospecção.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

De ontem em diante

Esperou longas horas pelo costumeiro reencontro no meio da semana. Acordou cedo, trabalhou em jejum, esqueceu, lembrou e ainda nem era hora do almoço.  Ligou, a passos largos na rua de pedras, com uma desculpa qualquer, só para ouvir e acalentar a saudade/ansiedade. Fez recomendações ao telefone e relembrou as encomendas enquanto escolhia um fresco pé de alface e projetava repetir o cardápio do jantar (queria partilhar a "leve" galinhada com pequi degustada sozinha na noite anterior). Calor, agência cheia, telefonemas, papéis... e a tarde serena. Fim do dia, jornada ao pé do fogão, marido preenchendo a casa, conversa de filho atrás do balcão (cresceu tanto em dois dias!). A quarta feira é essencial para valer a pena. A elaboração do cardápio da próxima semana já começou.

domingo, 14 de agosto de 2011

Pai

A virtude de amar te faz forte
Não os braços.
A sabedoria das palavras te faz grande
Não o grito.
O brilho nos olhos te faz único
Não as posses.
Em cada passo, um olhar
Em cada gesto, imitar
O ídolo forte, grande, único
Que todo filho deseja ter.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Aniversário é um dia que resume a vida

Inevitável preencher o dia com recordações, felicitações padrão e sorrisos. Tudo neste dia converge para a celebração. Comemorar "um novo ano", e não "mais um ano de vida", significa 365 dias de oportunidade para concretizar idéias, alimentar vínculos, construir bases para sonhos. A lista de desejos e promessas para o "meu ano novo" inclui ler mais, visitar os amigos (os de longe e os de perto) e estar novamente unida à minha família.
Tenho 364 dias antes do próximo ano novo. Será que vou conseguir?

quinta-feira, 30 de junho de 2011

A vida em ciclos

Cada sonho, um nó
Na garganta, no peito, na alma
Cada início, só
Sem bandeiras, sem alianças
Solitária esperança no que virá
Cada ida, pó
Fragmentos que preenchem lacunas, vivências
Sensoriais, cognitivas, sociológicas, metafísicas
Micropartículas na fusão da diversidade humana
Sedimento que nivela o piso para os próximos passos
De sonhos, de luta, e em algum momento, de partida.

(Aos colegas da SRE)

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Nesta data querida

Soneto de fidelidade
(Vinícius de Morais)

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Só nós sabemos quanto há para comemorar
E do futuro esperar...

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Existe razão nas coisas do coração


Havia uma princesa que vivia no Reino dos Contrastes. Erudita de carteirinha, aventurou-se no estudo das letras, e durante a faculdade estudou com afinco o latim (assim como todas as outras matérias), devorou vasta literatura da biblioteca e cantou no coral. Mas, é certo que jamais abandonou outros interesses, tão diversos dos primeiros: a cervejinha do fim de semana, o arrasta-pé e o discurso feminista. A princesa suspirava e registrava versos romanescos, ao mesmo tempo em que verbalizava planos de permanecer avulsa na vida, eterna profissional full time. Prezava muito essa tal liberdade de ir e vir, mas, estranhamente, mal graduou-se em terras longínquas retornou à barra da saia da rainha-mãe. A princesa, por estes tempos, conheceu um príncipe, que como ela, poetizava. Verso vai, ônibus vem, o príncipe, tal qual experiente ourives, trabalhou e esperou o tempo necessário a cada etapa na construção da mais bela jóia. Assim, a resiliente princesa, jóia de raríssima pureza, terminou por vergar (sem comprometer a paradoxal estrutura básica) em direção à grande tarefa na existência cristã: crescei e multiplicai-vos. E feliz vai a princesa anunciando as núpcias, evento antes inimaginável na sua feminilista de planos...

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Quase cicloturista-ativista

Recente estudo realizado pelos governos Federal e Estadual revelou que o processo de desertificação no norte de Minas Gerais está em estágio bastante avançado. A conclusão é de que em vinte anos, a região poderá se tornar improdutiva e inabitável, provocando migrações em massa e diversos outros problemas decorrentes disso. Os cidadãos mais uma vez são responsabilizados e chamados à ação. Justíssimo! Afinal o esgotamento dos recursos é em função do uso de quem? Mas, entenda-se como cidadãos responsáveis todos os beneficiários dos recursos da região. Isso inclui moradores, visitantes, transeuntes, empresários e claro, governantes. Ações conjuntas, mobilizadoras e perenes poderão garantir a manutenção dessa importante área de transição entre os biomas Caatinga e Cerrado. As futuras gerações merecem conhecer a beleza da Serra Geral Norte Mineira e seus frágeis mananciais. A bike está a minha espera para estrearmos nas trilhas do cerrado, e tirar muitas fotos. Daqui a alguns anos, quando meu filho quiser fazer o mesmo, espero que, ao subir a serra, ele encontre esse mesmo cenário...

Mudança de hábito

O esforço pela redução do uso de sacolas plásticas têm alcançado grande notoriedade na sociedade. Campanhas de organizações independentes e atitudes de consumidores isolados promoveram um efeito multiplicador positivo em busca da redução de resíduos, culminando em aprovação de leis importantes.  A pioneira cidade de Belo Horizonte e suas donas de casa engajadas... receita de sucesso em atitudes de consumidores conscientes. Exemplos a serem replicados nos diversos municípios, que começa pela educação ambiental inserida no convívio de cada indivíduo: casa, escola, bairro. Enquanto não se torna lei no meu município, sigo fazendo a minha parte para reduzir o consumo de sacolas plásticas: sacola retornável e caixas de papelão para carregar as compras. E para suprir as necessidades de sacos no lixo, basta utilizar o saquinho de jornal  que o site "De Verde Casa" ensina. Não há custo financeiro para atitudes simples, mas o benefício ambiental é incomensurável. E você? Quantas sacolas descartáveis recusou hoje?

domingo, 8 de maio de 2011

Do que é feito um dia de mãe?


Acordar com passos
nas mãos o afago
a voz pura suplicante
aos ouvidos, bem cedo
Deixar-se levantar
chão frio, já vai
leite quente e bolachinha

Sol a pino lembra fome, sesta
e o doce pedido: brinca, brinca
por que não é agora?
É hora, já sabe
de banho, de comida, de sair
é a vida (a nossa, com prazer)

A volta do trabalho
cheiro de banho invade a sala vazia
às vezes silêncio, vitória ao cansaço
às vezes correria nos fundos
livro novo, experimentar
histórias repetidas, dividir
pedido manhoso, colinho atendido
era para resistir?

terça-feira, 26 de abril de 2011

O segredo do sucesso do papai

Papel de pai é brincar de cavalinho com o filhote. “Meu Deus”, pensa a mãe, “aquelas mãozinhas podem soltar a qualquer momento!” Mas elas nunca se soltam, e a brincadeira sempre acaba entre risadas e almofadas.

Pai adoooora dar chocolate escondido na saída da escola, aproveitando o momento só deles. Mas não adianta tirar o uniforme antes da mãe chegar... quem é que separa a roupa pra lavar?

Passeio de domingão, andando na praça ou no clube: “Papaiêê! Quero colinho seu!” ('Ai que inveja...' pensa a mãe, resignada.)

Tosse noturna e nariz entupido combinam bem com o quê? Colinho de papai, claro.

Lola* em versão Biel, todas as manhãs antes do papai chegar para almoçar: “Eu queria ir ni papai tooodos os dias!”

Papai Rique conhece bem o equilíbrio entre falar firme e tocar suave. Vou negociar umas aulas...

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Histórias de uma mãe sem culpa II

Conhecia bem o percurso, mas dobrou a esquina com olhos de visitante recém-chegada. Já tinha passado por aquele quarteirão diversas vezes, indo e vindo a caminho da escola, do trabalho, do supermercado, do centro comercial, da academia... Sempre morou ali próximo, desde que nascera. Avistou a antiga casa de esquina, onde na infância comprava geladinho. Dificilmente o filho terá oportunidade de comprar um geladinho de fruta tirada do quintal, não se encontram mais pés de manga espada nem donas de casa empreendedoras por aqui. Procurou as árvores na calçada que, em outros tempos, nem a companhia de energia ousava podar, mas que agora não existiam mais. Debaixo delas, uma enlouquecida moradora de rua havia atirado um copo com café quente em seu uniforme da escola, obrigando-a a voltar em casa e pela primeira vez dar explicações por chegar atrasada na escola. “O filho não passará por isso”, pensa ela, “pois nestes tempos ir sozinho para a escola só depois da maioridade!” Assim, percorria as poucas dezenas de metros que separavam uma esquina da outra. Lembranças revisitavam seus olhos, em resgate profundo de detalhes e sentimentos. A iminência da mudança de emprego há dias estava afligindo seus pensamentos, misturando desejo e medo, transformando esse trajeto rotineiro em túnel do tempo. Estava acomodada estabilizada no trabalho atual, satisfatoriamente remunerada, rotina familiar estabelecida e funcionando... Deveria mesmo aceitar o novo desafio? Era isso, o desafio que a estava motivando. A possibilidade de retornar ao primeiro local de trabalho, onze anos depois. A adolescente aprendiz, agora uma profissional de carreira. Quanto queria mostrar que cresceu, que viveu, e ser mais uma vez merecedora das chaves. E o telegrama de chamada não chegava, adiando a confirmação da 1º viagem a dois no feriado. O marido querendo viajar, mas pacientemente esperando o desfecho da indefinição profissional. E o filhote? Dormindo tranquilamente a essa hora (20:17), nem sabe que, em breve, a mãe poderá ser convocada para trabalhar em outra cidade. Que dirá ao filho de 2 anos aos domingos, quando tiver que ir para outra cidade trabalhar a semana toda? Lembra-se dos tempos da faculdade, quando aos domingos despedia da mãe para voltar à cidade onde estudava. E instintivamente olha no retrovisor, visualizando a imagem da família diminuindo junto com o coração. Ôo dúvida... Então decide que quando ele disser “Mamãe, pu que você tem que i trabalhá?”, responderá: “Porque eu preciso e me faz feliz, filho, e assim eu vou ser uma pessoa melhor, para mim e pra você, todos os dias”. Atravessa a esquina, já quase em casa, concluindo os pensamentos. Independente de qual fosse a resposta ao filho, teria que treinar bastante. Nem mesmo os postes da rua estavam acreditando que, diante dos inquisidores olhinhos amendoados, faria cara de esperança para dar veracidade às palavras...

Histórias de uma mãe sem culpa I Blogagem coletiva



Nasci do 2º parto normal de minha mãe. Tive que batalhar bastante para contornar o ciúme da irmã mais velha (até hoje). Aceitei, muito grata, leite de vaca na primeira semana de vida, por absoluta escassez do leite materno. Usei vestidinho de crochê feito pela minha mãestilista. Nunca gostei muito de carne e doces, as refeições em casa eram ricas em verduras e legumes da feira, mas ainda assim fui gordinha na infância. Pai trabalhava em casa, negócio próprio. Mãe trabalhava fora, funcionária pública. Babás, tive várias, e não guardo recordações (nem boas, nem ruins). Substituíram satisfatoriamente bem a mãe nas necessidades fisiológicas cotidianas, segundo ela mesma conta. As demais necessidades eram indelegáveis: pai supervisionava as tarefas da escola e mãe era presença garantida nas reuniões de pais. Cidade pequena, cresci correndo na rua e subindo em árvore, mas somente quando a mãe estava em casa para controlar o horário. Passeei muito com meus pais, de ônibus, carro, bicicleta (às vezes só com minha mãe, de pé no quadro e minha irmã na garupa). Lembro bem quando aprendi a cozinhar aos doze anos (sob supervisão do pai) e na mesma época pedi mãe para entrar na sala do dentista sozinha, porque já era grande. Li muito, por influência materna, e teria lido mais se a biblioteca pública fosse mais perto de casa e pudesse ir sozinha pegar livros. Ganhei concurso de redação, mas também medalhas de olimpíada em vários esportes na escola. Não sofri por usar óculos na adolescência, reforçava meu status de CDF com estilo, além disso a aceitação foi natural já acostumada com a irmã míope e a autoestima no lugar certo. Comecei a jornada de trabalhar e estudar à noite aos 16 anos por opção, e continuei até terminar a pós-graduação, aos 24. E já no primeiro ano da faculdade, viajando para a cidade vizinha, minha mãe ia me buscar no ponto do ônibus todos os dias, de madrugada. Morei sozinha, voltei pra casa formada e com emprego. Pedi (e peço) a benção aos pais, tios, padrinhos e avós. Fui batizada na mesma igreja em que me casei, e onde meu filho também foi batizado. Hoje, aos 27 anos, trabalhando fora de casa oito horas por dia e mãe de um garoto de 2 anos em tempo integral, reconheço e admiro o esforço de minha mãe. Ela, como muitas, praticou a maternidade ativa da melhor maneira possível. Ativa porque sempre esteve presente nos momentos especiais e essenciais, nas broncas indispensáveis, na vivência e memória afetivas. Nunca terceirizou a responsabilidade pela minha formação humana, e me ensinou desde cedo a ter confiança, autonomia e responsabilidade nas minhas ações. Soube escolher bem as prioridades para minha vida, e ninguém é competente para questionar as escolhas de uma mãe. Nem mesmo os filhos. Como disse Padre Léo*, em sua palestra “No limite está a salvação dos filhos”, o placar paisXfilhos deverá ser sempre, no máximo, 6X4. Porque mães, de infinitas formas diferentes, querem sempre o bem aos seus. “Viver, é melhor que sonhar”. E viver a maternidade real, para mim, tem como premissas básicas amar (muito) e se amar.


“Minha dor é perceber, que apesar de termos feito tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais...”

(Convocação da blogagem coletiva aqui Vinhos, Viagens, uma vida comum...e dois bebês!)

quinta-feira, 24 de março de 2011

E o combustível é renovável II



Chegou acanhada na porta da sala, trazendo nas mãos um impresso. “Veja se ficou bom”, disse ela. Identificando imediatamente o papel, impulsivamente eu disse: “Ah, mas eu quero o meu com envelope!” Formalismo dispensável, aquela brincadeira doeu, nela e em mim. O gesto de trazer para avaliação o convite de formatura pedia apenas um sorriso, ou algo que traduzisse o orgulho que tenho de vê-la concluir seu desejado curso superior. Tentei consertar, mas o tempo não volta. Passei horas rememorando a trajetória implícita nas palavras impressas de agradecimento a Deus e à família: a caminhada de léguas até a escola primária, o reforço à estatística de evasão escolar na cidade, a conclusão da educação básica junto com a filha mais velha, o diploma de honra ao mérito como melhor aluna do ensino médio... tantos caminhos. Hoje, apesar das viagens a trabalho e da saudade do neto, o título de Bacharel em Serviço Social é um presente que ela se dá no aniversário de 50 anos. E, às vésperas da aposentadoria de servidora pública, persiste em não ser uma amanuense como Belmiro*. “Vai, mãe, ser gauche na vida.”*

E o combustível é renovável


A viagem tem que esperar trocar o carro. O casamento? Melhor comprar a casa primeiro. O corte de cabelo novo será quando mudar de emprego. A louça nova, presente de casamento, será usada somente nas bodas de prata... Adiar sonhos em função da conclusão de outros projetos é ilusão. Sempre teremos projetos concomitantes na vida, e o conflito entre eles é inevitável. Gerenciar os próprios planos é um grande desafio, que torna-se ainda mais complexo quando consideramos que existem diversos grupos de interesses ao nosso redor: familiares, colegas de trabalho, amigos, invejosos... Neste contexto, conhecer-se é importante, estabelecer prioridades é essencial, e dedicar-se com amor às escolhas faz a diferença. Estudar, trabalhar, constituir patrimônio, casar, ter filhos, nessa ordem, representam a estrutura evolutiva padrão da sociedade. Ter desvio-padrão alto sugere estar fora do sistema, seja deixando-se ser levado pelas circunstâncias ou indo de encontro às imposições. O importante não é se a ordem social dos acontecimentos foi seguida. A cronologia do coração é que nos mantém vivos.

“O importante não é o que fazem do homem, mas o que ele faz do que fizeram dele.” Sartre, em citação de mãe

quinta-feira, 3 de março de 2011

A jornada múltipla

O que são as escolhas? Uma vitrine exposta em dia de liquidação, ou uma caixa surpresa enviada por remetente anônimo? O grau de certeza sobre a resposta é inversamente proporcional à extensão da credulidade de quem ouve. Então, decidido! Lançar-me-ei no abismo da incerteza (de risco calculado...), onde a morte da mediocridade é certa, e o fim do dia guarda abraços com cheiro de suor e saudade.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Quebra galho em tempo integral

Profissão é coisa séria. Não cabe a qualquer um querer se meter a executar atividades que compõem o portifólio de serviços de terceiros. Acontece que, de tanto ouvir o pedido de ajuda implícito em grandes discursos de indignação e pequenos suspiros, a falta de forças para dizer “procure um profissional” faz buscar forças para o “faça você mesmo”. Assim que me meti a ser designer de convites. Confesso que mexer em ferramentas no computador me atrai, mas daí a enfrentar o Coreldraw no meio de uma semana super-rotineira é ocupar tempo demais para qualquer profissional de múltipla jornada. Solução de última hora: a net. É ela que me vale na hora do aperto, minha biblioteca, meu shopping do interior, minha consultoria am-pm. A assessoria filial é sempre muito bem paga (mãe tem crédito em estoque), mas às vezes é banda larga, outras vezes nem tanto...

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Amigos entregam o paraquedas

Amigos, colegas, companheiros, conhecidos. Encontramos pela vida pessoas magníficas, parcerias em fatos e fotos, lembranças em um caleidoscópio de sensações. Boas relações oferecem segurança, entregam o paraquedas para você não despencar, compõem memórias guardadas terna e eternamente. Contudo, inexplicavelmente, as pessoas por quem menos se tem afinidade ou simpatia são as que deixam as recordações mais latentes. Pessoas que sem cerimônia ou delicadeza gramatical te empurram no precipício, puxam seu tapete, furam seu olho. O sentimento instintivo de autodefesa faz corpo e mente reagirem à contrariedade. Pupilas dilatadas, pulsação acelerada, resposta na ponta da língua. Ou das mãos e pés. Passada a explosão (ou para muitos implosão) de instinto, a reflexão sobre a crítica recebida vale como aprendizado. É possível montar um questionário inteiro de autoavaliação, com as respostas, e algumas vão direcionar as ações por muitos anos (mesmo que jamais admita que o “inimigo” estava certo). Assim, certa vez aprendi que para perfurar uma folha bem no centro basta dobrá-la ao meio, e que isso é puramente estético mas demonstra zelo pelo trabalho. Então você vai ter que conviver com a lembrança da pessoa que acreditava estar livre quando mudou de emprego.