Mostrando postagens com marcador Sinestésica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sinestésica. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Sobre a arte e a vida



Rir e pensar, envolver-se ou devanear... Todo tipo de arte proporciona experiências sensoriais, cognitivas, socias, metafísicas, tão diversas quanto complexas. A forma com que certa manifestação artística toca um Ser relaciona-se intimamente com o seu ser. Suas vivências, conexões, seu barro. Barro molhado, moldável, mas de matéria definida. E a sétima arte alcança o meu ser, quase como um livro. Concentração, preparação,  momento onde um instante perdido determina a crítica final. Duelos épicos, dramas suburbanos, histórias rasas pinceladas de doçura... Sempre me instigam o texto e o contexto, entrelaçados ficção e fatos que em muito assemelham-se à nossa própria vida (ou àquela que desejamos). Inevitável depois a citação sem fonte, apropriação pela identificação mais que pela intenção de usurpar propriedade intelectual alheia. Uma comédia despretensiosa ofereceu-me recentemente um profundo sentimento de unidade e pertencimento, e no dia de hoje a vida tristemente imitou a arte. Meu sentimento se traduz nas palavras de Dona Hermínia:
"Quando uma mãe perde um filho, todas as mães do mundo perdem um pouquinho dele também".

sábado, 12 de outubro de 2013

Outro tempo

O tempo endossa a doce lembrança
Traz paz, sufoca a angústia
Renova
O tempo cura
Apura o tempero da vida
E a vida... Quero muito!
Tanto e mais
Sempre

domingo, 9 de outubro de 2011

Diário para você

Hoje vou te falar de expectativas. Que adianta ocultar sonhos, que ao se realizarem parecem obras de um acaso imaterial, sem sangue ou suor. Realizações são frutos que nascem do regar da muda, da incidência suave e contínua dos raios de sol, da passagem do tempo. Algum tempo há para cada cultivo, meu filho. O caminho que hoje trilho foi um dia sonhado, planejado e por fim iniciado. Poder percorrê-lo já é uma conquista, que mistura nosso suor e nossas lágrimas para formar um presente de ótimos momentos e maiores perspectivas. Meus sonhos profissionais só são possíveis pela convergência de nossos sonhos enquanto família. E o preço de sua realização é perfeitamente palpável, inegavelmente mensurável nos olhos de despedida.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Procurando as fontes das estatísticas

Todo sentido que faz as coisas que queremos, esvai-se no momento em que elas se concretizam. O custo de oportunidade é a matemática básica do dia a dia. Onde está a certeza da necessidade de mudança, o sonho de ter desafios? Permanecem internalizados, mas diariamente poderados à luz da espera, da distância, da saudade. Abdicar e investir para uma vida inteira, mas, se necessário for, desinvestir. Muitos já disseram, "o importante não é estar ao lado, mas do lado de dentro". Repetir em voz alta esse mantra antes das refeições (comer sozinha é altamente depressivo!) e quando entrar em casa depois do trabalho (cadê os brinquedos espalhados na sala?) pode aumentar muito a expectativa de vida durante a semana fora de casa.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Uma herança pra deixar

Não quero que meu epitáfio seja extenso e repleto de desejos não vividos. Manter os olhos em alerta ajuda a captar cada mudança de vento que determine novas estações e assim posso aproveitar o melhor de cada uma delas. Penso, e como penso! Planos, projetos, orçamentos, fazem parte do dia a dia, como escovar os dentes ou arroz com feijão, embora reconheça, relutante, a importância de se entregar esporadicamente ao acaso. E na hora de executar, contar com auxílio/apoio/puxão de orelha é sempre uma ótima opção. Pessoas são componentes essenciais na execução de planos bem sucedidos. E querer perto, querer bem, requer dedicação. Bate papo na cozinha de madrugada, e-mail sem assunto, beijo-lembrete (sempre tem uma recomendação a ser feita) na saída e beijo-saudade na chegada. Momentos consolidam laços, estreitam braços, permitem viabilizar diariamente a felicidade. E ao fim, a lápide sem serventia, mera pedra fria esculpida, nada terá para guardar. Somente os componentes humanos arquivarão os estímulos sensoriais vivenciados e proporcionados através de minha existência.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

11 de setembro x Dias que se seguiram

O que há para celebrar diante da violência institucionalizada?
1 morte amiga + 1 morte inimiga = 2 episódios de violência. Não há compensação nesta relação matemática, as perdas somam-se, e multiplicam a intolerância e o sofrimento.
Vamos celebrar a paz que vem do respeito ao ser humano. Respeito às origens e escolhas. Respeito à vida.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Quintal de casa

Casa do interior tem que ter quintal. “Apertamento” com vista não faz sucesso. Doce da infância é subir em árvore. Colher a fruta, sujar do caldo, escorregar no tronco. Cajá, siriguela, manga espada. Fruta de casa não tem graça. Fruta de avô, de vizinho. O quintal da casa do interior é a sala de estar, de papear e de partir. Banco de madeira de lei, forno de tambor, horta. Casa do interior tem quintal grande, que é pra fazer festas de família. Bodas de Ouro é no quintal da casa que criou os sete filhos. Criança correndo entre árvores e adultos, arrasta-pé que levanta poeira e dedo no bolo de autor ignorado. Já aos setenta anos de casamento, o quintal é todo passarelas para melhor acessibilidade, plantas de cultivo fácil e silêncio. Houve um tempo em que o barulho das crianças ocupava os cantos, as frestas, os galhos no quintal da casa do interior. Mas no último dia do ano não há fogos, não há música. As crianças estão crescidas, insones, vagando pelo quintal. Só há sussurros e lembranças. O quintal é o refúgio da casa cheia. E quando a casa esvazia, é hora de despedir do avô. Mas desta vez, é ele que se vai.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Eu não ganhei flores

Felicidade pode ser escrita, descrita? É possível viver mais do que a vida parece oferecer? Cada pedaço de nós é realidade viva. Os planos traçados, a rotina estabelecida, a vontade de alimentar. Cada pensamento é realidade em construção. Os sonhos não sonhados, a emoção não vivida, a posição diante dos fatos. Viver... Incessante busca pelo equilíbrio na dualidade. Corpo-mente, saber-sonhar, decidir-esperar. O debate sobre o copo metade cheio ou metade vazio. Prefiro metade cheio, quase sempre. Acontecimentos provocam sensações, e a forma de materializá-las pode ser puramente existencialista. Construir-se, como Sartre. Ou transcender a essa lógica, compreender e aceitar o determinismo. Há jardins sob todas as janelas. Contemple-os. Hoje, eu não ganhei flores. Mas escolhi me lembrar do perfume delas.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Quando a angústia passa

Ele nasceu saudável, com peso e altura dentro do esperado considerando o milagre da herança genética. Mamou muito. Chorou pouco, porém forte, resoluto. Aprendeu rápido a adaptar-se às novidades do primeiro ano. Aos seis meses iniciou-se nos ritos familiares de alimentação. Aos nove meses foi separado de sua primária fonte de alimento, e substituiu-a sem cerimônia por um copo que jorrava mais leite do que conseguia sorver. Por esses tempos, decidiu aparecer mais que a noiva, e deu seus primeiros passos sozinho na festa de casamento da tia. Daí para frente, ousou. Deu sua primeira festa, virou cristão e tornou-se terceira pessoa, cheia de posses e sabedoria: é de Biel!; Biel sabe! Abusou do “não”, do “cadê”. Descobriu as frases longas e o pai super-herói. Então, a mãe virou coadjuvante. Caiu, pulou, pedalou a “totoquinha”, selecionou repertório musical. E tanto fez, que virou Gabriel. Já. Primeira pessoa. Protagonista de histórias vividas por ele e por outros, segundo conta. Contador de histórias, curioso. Leitor de A princesa e o Sapo (ainda que o livro esteja de cabeça pra baixo). A família cresceu junto, a cada tropeço, a cada descoberta. E chegou, enfim, o dia de deixar o berço. Muitas protelações e desculpas depois, tudo pronto. Ansiedade dos pais. Desejo e necessidade do filho, celebração do 2º ano. Banho-leite-livro-oração... cama. Senta, levanta, canta, rola, enrola, balbucia, cala... E o sol de manhã, na busca através da persiana, foi encontrá-lo em um ponto novo do quarto. A angústia pelo novo, mais uma vez, passou.