A virtude de amar te faz forte
Não os braços.
A sabedoria das palavras te faz grande
Não o grito.
O brilho nos olhos te faz único
Não as posses.
Em cada passo, um olhar
Em cada gesto, imitar
O ídolo forte, grande, único
Que todo filho deseja ter.
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domingo, 14 de agosto de 2011
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Nesta data querida
Soneto de fidelidade
(Vinícius de Morais)
De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Só nós sabemos quanto há para comemorar
E do futuro esperar...
(Vinícius de Morais)
De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Só nós sabemos quanto há para comemorar
E do futuro esperar...
terça-feira, 26 de abril de 2011
O segredo do sucesso do papai
Papel de pai é brincar de cavalinho com o filhote. “Meu Deus”, pensa a mãe, “aquelas mãozinhas podem soltar a qualquer momento!” Mas elas nunca se soltam, e a brincadeira sempre acaba entre risadas e almofadas.
Pai adoooora dar chocolate escondido na saída da escola, aproveitando o momento só deles. Mas não adianta tirar o uniforme antes da mãe chegar... quem é que separa a roupa pra lavar?
Passeio de domingão, andando na praça ou no clube: “Papaiêê! Quero colinho seu!” ('Ai que inveja...' pensa a mãe, resignada.)
Tosse noturna e nariz entupido combinam bem com o quê? Colinho de papai, claro.
Lola* em versão Biel, todas as manhãs antes do papai chegar para almoçar: “Eu queria ir ni papai tooodos os dias!”
Papai Rique conhece bem o equilíbrio entre falar firme e tocar suave. Vou negociar umas aulas...
Pai adoooora dar chocolate escondido na saída da escola, aproveitando o momento só deles. Mas não adianta tirar o uniforme antes da mãe chegar... quem é que separa a roupa pra lavar?
Passeio de domingão, andando na praça ou no clube: “Papaiêê! Quero colinho seu!” ('Ai que inveja...' pensa a mãe, resignada.)
Tosse noturna e nariz entupido combinam bem com o quê? Colinho de papai, claro.
Lola* em versão Biel, todas as manhãs antes do papai chegar para almoçar: “Eu queria ir ni papai tooodos os dias!”
Papai Rique conhece bem o equilíbrio entre falar firme e tocar suave. Vou negociar umas aulas...
quinta-feira, 24 de março de 2011
E o combustível é renovável II
Chegou acanhada na porta da sala, trazendo nas mãos um impresso. “Veja se ficou bom”, disse ela. Identificando imediatamente o papel, impulsivamente eu disse: “Ah, mas eu quero o meu com envelope!” Formalismo dispensável, aquela brincadeira doeu, nela e em mim. O gesto de trazer para avaliação o convite de formatura pedia apenas um sorriso, ou algo que traduzisse o orgulho que tenho de vê-la concluir seu desejado curso superior. Tentei consertar, mas o tempo não volta. Passei horas rememorando a trajetória implícita nas palavras impressas de agradecimento a Deus e à família: a caminhada de léguas até a escola primária, o reforço à estatística de evasão escolar na cidade, a conclusão da educação básica junto com a filha mais velha, o diploma de honra ao mérito como melhor aluna do ensino médio... tantos caminhos. Hoje, apesar das viagens a trabalho e da saudade do neto, o título de Bacharel em Serviço Social é um presente que ela se dá no aniversário de 50 anos. E, às vésperas da aposentadoria de servidora pública, persiste em não ser uma amanuense como Belmiro*. “Vai, mãe, ser gauche na vida.”*
E o combustível é renovável
A viagem tem que esperar trocar o carro. O casamento? Melhor comprar a casa primeiro. O corte de cabelo novo será quando mudar de emprego. A louça nova, presente de casamento, será usada somente nas bodas de prata... Adiar sonhos em função da conclusão de outros projetos é ilusão. Sempre teremos projetos concomitantes na vida, e o conflito entre eles é inevitável. Gerenciar os próprios planos é um grande desafio, que torna-se ainda mais complexo quando consideramos que existem diversos grupos de interesses ao nosso redor: familiares, colegas de trabalho, amigos, invejosos... Neste contexto, conhecer-se é importante, estabelecer prioridades é essencial, e dedicar-se com amor às escolhas faz a diferença. Estudar, trabalhar, constituir patrimônio, casar, ter filhos, nessa ordem, representam a estrutura evolutiva padrão da sociedade. Ter desvio-padrão alto sugere estar fora do sistema, seja deixando-se ser levado pelas circunstâncias ou indo de encontro às imposições. O importante não é se a ordem social dos acontecimentos foi seguida. A cronologia do coração é que nos mantém vivos.
“O importante não é o que fazem do homem, mas o que ele faz do que fizeram dele.” Sartre, em citação de mãe
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Quintal de casa
Casa do interior tem que ter quintal. “Apertamento” com vista não faz sucesso. Doce da infância é subir em árvore. Colher a fruta, sujar do caldo, escorregar no tronco. Cajá, siriguela, manga espada. Fruta de casa não tem graça. Fruta de avô, de vizinho. O quintal da casa do interior é a sala de estar, de papear e de partir. Banco de madeira de lei, forno de tambor, horta. Casa do interior tem quintal grande, que é pra fazer festas de família. Bodas de Ouro é no quintal da casa que criou os sete filhos. Criança correndo entre árvores e adultos, arrasta-pé que levanta poeira e dedo no bolo de autor ignorado. Já aos setenta anos de casamento, o quintal é todo passarelas para melhor acessibilidade, plantas de cultivo fácil e silêncio. Houve um tempo em que o barulho das crianças ocupava os cantos, as frestas, os galhos no quintal da casa do interior. Mas no último dia do ano não há fogos, não há música. As crianças estão crescidas, insones, vagando pelo quintal. Só há sussurros e lembranças. O quintal é o refúgio da casa cheia. E quando a casa esvazia, é hora de despedir do avô. Mas desta vez, é ele que se vai.
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