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sábado, 14 de dezembro de 2013

O ano novo e a pessoa nova


Não dá para a cada Natal, ano novo, aniversário ou Páscoa se tornar uma pessoa nova, esquecer os erro cometidos e começar do zero sua história de vida. A capacidade de decidir ser uma "pessoa nova" nasce exatamente da existência das experiências julgadas negativas. Ninguém é 100% imprestável, que mereça ser "formatado" e "reinstalado"! Nossos erros e acertos, com toda a subjetividade que essas palavras carregam, são elementos do nosso caminho, e todo dia é possível alterar o rumo a seguir. Nossos defeitos e qualidades, igualmente subjetivos, competem pelo espaço do "ser eu", buscando brilho e notoriedade. Assim, diariamente, o balanceamento dessas forças nos molda, e sou feliz pela pessoa que sou hoje aos 30 anos. Melhoria contínua, claro, mas para o ano novo menos promessas. Hoje eu só desejo fazer melhor uso da melhor parte de mim.

terça-feira, 15 de março de 2011

Pensamentos elevados, por favor


É tempo de reflexão: para alguns a espera da celebração da ressurreição, para outros a lembrança das estripulias carnavalescas. Cada um, a seu modo, estabelece com este tempo um vínculo de pensamento e mudança de hábitos. A passagem dos meses, das datas comemorativas, das estações, sempre trazem a sensação de possibilidade de mudanças. Cada segunda-feira guarda um regime, toda primavera lembra flores para enfeitar a casa, cada feriado a esperança do amor subir a serra. A efetivação dessas ações depende, inicialmente, da força do pensamento. Se você acreditar que consegue, ou que não consegue, em ambos os casos você estará certo, como dizia Henri Ford. Assim, progressivamente, o exercício do autoconhecimento transforma o momento de introspecção em atemporal. Mas enquanto este nível de elevação mental estiver distante, é válido aproveitar esse tempo para revisões biográficas e planejamentos. Só não vale fazer regime e dizer que é jejum.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Tempo, tempo


Se a sorte é só nome
e vida consome
a entrega, relute
a fome, revele
e vá buscar
a hora é essa
Desculpa: a pressa?
Desculpe, apressa.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Ainda aprenderei com você

Se “sal da terra e luz do mundo” somos, que façamos doce tudo ao nosso redor e jamais careça de esperança o caminho.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Quanto vale o Natal?


Desejos tem preço
Rotina tem pressa
Esperança? Promessa
Famílias... Quanto custa?

A sorte incerta, casa de luta
O riso certeiro, mesa farta
Contraste
Dor e festa
Onde é dor? Onde é festa?

O preço, a pressa, a promessa.
Famílias! Quanto custa sorrir?
Filhos sem pais, um sentir vazio
Quanto custa... amar?

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Eu não ganhei flores

Felicidade pode ser escrita, descrita? É possível viver mais do que a vida parece oferecer? Cada pedaço de nós é realidade viva. Os planos traçados, a rotina estabelecida, a vontade de alimentar. Cada pensamento é realidade em construção. Os sonhos não sonhados, a emoção não vivida, a posição diante dos fatos. Viver... Incessante busca pelo equilíbrio na dualidade. Corpo-mente, saber-sonhar, decidir-esperar. O debate sobre o copo metade cheio ou metade vazio. Prefiro metade cheio, quase sempre. Acontecimentos provocam sensações, e a forma de materializá-las pode ser puramente existencialista. Construir-se, como Sartre. Ou transcender a essa lógica, compreender e aceitar o determinismo. Há jardins sob todas as janelas. Contemple-os. Hoje, eu não ganhei flores. Mas escolhi me lembrar do perfume delas.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Quando a angústia passa

Ele nasceu saudável, com peso e altura dentro do esperado considerando o milagre da herança genética. Mamou muito. Chorou pouco, porém forte, resoluto. Aprendeu rápido a adaptar-se às novidades do primeiro ano. Aos seis meses iniciou-se nos ritos familiares de alimentação. Aos nove meses foi separado de sua primária fonte de alimento, e substituiu-a sem cerimônia por um copo que jorrava mais leite do que conseguia sorver. Por esses tempos, decidiu aparecer mais que a noiva, e deu seus primeiros passos sozinho na festa de casamento da tia. Daí para frente, ousou. Deu sua primeira festa, virou cristão e tornou-se terceira pessoa, cheia de posses e sabedoria: é de Biel!; Biel sabe! Abusou do “não”, do “cadê”. Descobriu as frases longas e o pai super-herói. Então, a mãe virou coadjuvante. Caiu, pulou, pedalou a “totoquinha”, selecionou repertório musical. E tanto fez, que virou Gabriel. Já. Primeira pessoa. Protagonista de histórias vividas por ele e por outros, segundo conta. Contador de histórias, curioso. Leitor de A princesa e o Sapo (ainda que o livro esteja de cabeça pra baixo). A família cresceu junto, a cada tropeço, a cada descoberta. E chegou, enfim, o dia de deixar o berço. Muitas protelações e desculpas depois, tudo pronto. Ansiedade dos pais. Desejo e necessidade do filho, celebração do 2º ano. Banho-leite-livro-oração... cama. Senta, levanta, canta, rola, enrola, balbucia, cala... E o sol de manhã, na busca através da persiana, foi encontrá-lo em um ponto novo do quarto. A angústia pelo novo, mais uma vez, passou.